As mudanças e as limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus forçaram a transformação digital em todos os setores da economia e no cotidiano das pessoas. Na educação, essa realidade não foi diferente. Com a impossibilidade da realização de aulas presenciais, as escolas de todo o mundo tiveram que buscar soluções tecnológicas para garantir a continuidade dos processos de aprendizagem.

Assim, mesmo em instituições nas quais o uso de tecnologias já se fazia presente, novos modelos e novas metodologias passaram a se tornar indispensáveis. Dentre essas, a educação híbrida ganhou destaque e tem se colocado como resposta necessária ao momento no qual vivemos, projetando-se como uma modalidade que permanecerá nas escolas mesmo no pós-pandemia.

Assim, entender o que é ensino hibrido e como trabalhar com ele em sala de aula é um desafio para qualquer profissional do setor. Por isso, neste artigo, vamos ajudar você a esclarecer suas dúvidas e a organizar as suas práticas pedagógicas sobre essa tendência educacional que conquista cada vez mais espaço Brasil afora.

Assista também: Maria Helena Guimarães, presidente do Conselho Nacional de Educação, fala sobre a Educação Híbrida na prática, no #EscolaEmPauta.

O que é educação híbrida?

Essa é uma metodologia na qual estudantes vivenciam o processo de aprendizagem por meio das modalidades presencial e à distância de forma integrada. Assim, esse procedimento une elementos tradicionais com ferramentas e dispositivos tecnológicos, o que resulta em uma educação mais completa e relevante para estudantes do século XXI.

Muito além de aulas com parte de uma turma acompanhando presencialmente e outra acompanhando virtualmente, essa metodologia tem diversos meios de ser aplicada. De modo geral, qualquer forma de interação que extrapole os limites da sala de aula e se dê no espaço virtual já pode ser considerado como um modelo híbrido.

Contudo, é importante compreender que, para que ocorra a metodologia, deve existir um planejamento no qual o real e o virtual sejam explorados de modo significativo. Isso quer dizer que não basta colocar um vídeo no ambiente on-line da escola se não houver um sentido aliado ao processo de aprendizado.

Por isso, compreender as nuances da educação híbrida é tão importante para que as aulas se tornem mais atrativas e façam sentido para a formação dos estudantes. Tendo isso em vista, escolas e profissionais da educação devem buscar informações que auxiliem na exploração integral das inúmeras possibilidades dessa metodologia.

Como ela se intensificou na pandemia?

A educação híbrida não é algo novo, que surgiu somente por conta das medidas de combate ao contágio do novo coronavírus. Todavia, é inegável que as restrições estabelecidas às instituições de ensino nesse período sejam responsáveis pela popularização do termo. Hoje, falar a respeito dessa modalidade é cada vez mais comum no contexto escolar em todo o Brasil.

Isso ocorre, pois, após quase 1 ano de portas fechadas, o início do ano letivo de 2021 foi marcado pelo retorno dos estudantes às escolas, mas com diversas medidas de segurança. Dentre elas, a que mais impulsionou a popularização da metodologia foi a limitação do número de estudantes por sala. Assim, muitas instituições de ensino optaram por manter parte dos estudantes em casa, enquanto outra parte frequenta a escola.

Em vista disso, a educação híbrida se apresentou como uma alternativa eficaz na garantia de acesso à educação para quem não está presente fisicamente na sala de aula. Assim, estudantes podem acompanhar as aulas que acontecem na escola de forma síncrona, tendo a possibilidade de interagir com colegas e tirar suas dúvidas em tempo real.

Além disso, com as constantes mudanças das bandeiras de risco da pandemia, que ora permitem aulas presenciais, ora impedem, a educação híbrida se intensificou por ser uma garantia da continuidade das atividades escolares, devido ao uso de recursos digitais. Assim, se em um mês os estudantes podem estar na escola, mas no mês seguinte não, o processo não é interrompido, pois já estão inseridos no ambiente virtual.

Quais são as vantagens dessa modalidade?

Como vimos, a possibilidade de não haver uma interrupção no processo de aprendizagem é uma vantagem considerável da educação híbrida. Entretanto, há diversos outros pontos que valem a pena serem observados.

Interação em tempo real, mesmo à distância

Com a educação híbrida, é possível implementar o acompanhamento síncrono, isto é, ao vivo, das aulas que são ministradas na escola. Assim, estudantes que assistem a distância podem interagir com colegas e com os professores, o que é parte essencial para uma formação integral.

Ao se tratar da educação a distância assíncrona, quando as aulas ficam apenas gravadas, a interação geralmente fica limitada a mensagens de texto. Assim, ao surgir uma dúvida durante a aula, por exemplo, o processo de aprendizado é interrompido e, aos poucos, pode desestimular quem estuda.

Por isso, a interação em tempo real é tão fundamental na educação. Além de possibilitar tirar dúvidas no mesmo momento que acompanha a aula, os estudantes têm a oportunidade de participar de modo ativo. Isso ocorre porque os estudantes podem ser convidados a expor o que aprenderam, expressar os seus pontos de vista e fazer atividades com os demais colegas, por exemplo.

Desenvolvimento do protagonismo estudantil

Um dos principais objetivos da educação híbrida é superar modelos tradicionais e estáticos, focando nos sujeitos da aprendizagem e não em quem ensina. Assim, essa modalidade está atrelada às metodologias ativas, que promovem a autonomia e estimulam a busca pelo conhecimento.

Essas metodologias aplicadas à educação híbrida oportunizam ao estudante decidir quando, onde e com quem quer estudar. Assim, tornam os estudantes conscientes de seu papel e os estimula a se tornarem protagonistas do próprio aprendizado.

Educação personalizada

Com o uso de diversas ferramentas, a educação híbrida é capaz de identificar o perfil das turmas e apontar os desafios a serem superados. Isso significa que é possível entender quais são as necessidades e as carências — pedagógicas, tecnológicas e sociais — que cada estudante tem e, a partir disso, elaborar metodologias específicas.

Assim, ao verificar que parte de uma turma tem défices de conteúdo, por exemplo, materiais de apoio podem ser disponibilizados de modo específico. Ainda mais, estudantes com disfunções cognitivas podem receber conteúdos e avaliações adaptadas com recursos tecnológicos que ampliam as possibilidades de aprendizado.

Enfim, as novas gerações lidam com a informação e com o conhecimento de modo muito diferente que há alguns anos. Por isso, a educação híbrida tem diversas formas de personalização e, por essa razão, essa modalidade é tão relevante para o contexto educacional do século XXI.

E os pontos de atenção?

Se, por um lado, há evidentes vantagens na adoção da educação híbrida, por outro, existem alguns desafios que podem necessitar uma maior atenção. Confira alguns pontos que podem ser destacados.

Formação de profissionais da educação

Considerando que as metodologias que usam recursos tecnológicos tiveram um rápido avanço recentemente, muitos professores não estão preparados para a educação híbrida. Visto que a maioria dos profissionais faz parte do grupo chamado de imigrantes digitais, isto é, que tiveram acesso a dispositivos tecnológicos somente a partir da fase adulta, diversos entraves podem ser observados.

Nesse contexto, há uma pujante necessidade de formação, para que a educação híbrida não seja apenas um modelo tradicional que se diferencia pelo uso de slides e aulas remotas. Isso significa que as instituições educacionais e os órgãos governamentais do setor devem buscar meios para capacitar as suas equipes.

Quanto antes as escolas se prepararem, mais rápida será a adaptação de suas equipes e de seus estudantes à educação híbrida.

Adaptação dos estudantes

Mesmo que a maioria dos estudantes tenha uma convivência estreita com a tecnologia, isso não significa que o uso dela nas práticas pedagógicas ocorrerá de forma simples. Muitas vezes, estudantes estão inseridos em contextos escolares que não costumam promover a autonomia ou que não fazem o uso de recursos tecnológicos de forma significativa.

Assim, ao serem colocados em ambientes com metodologias que exigem maior independência e que não têm a supervisão constante, como ocorre na sala de aula, a adaptação pode apresentar inúmeros conflitos. Soma-se a isso, o fato de existir a necessidade do estabelecimento de uma rotina de estudos fora do ambiente escolar, o que, muitas vezes, é apresentado como um grande obstáculo.

Além do mais, saber usar as redes sociais, jogar videogames e navegar na Internet não são garantias de que os estudantes consigam lidar com as ferramentas digitais que a escola exige. Mesmo que exista uma facilidade para aprender, a equipe pedagógica precisa dar suporte e treinamento aos estudantes, para capacitá-los para o uso das soluções.

Como superar os desafios?

A educação passa por uma grande transformação e, como toda mudança, traz consigo as suas adversidades. Entretanto, há meios de amenizar os problemas e agilizar processos para que a adaptação à educação híbrida ocorra de modo facilitado. Dentre esses meios, separamos aqui os mais relevantes:

  • disponibilize formação para a equipe e os estudantes: o primeiro passo é garantir que os recursos básicos sejam dominados por todos, por meio de palestras, treinamentos, videoaulas, tutoriais e pelo estímulo à troca de experiências;
  • conheça a sua escola: a aplicação de instrumentos de avaliação diagnóstica e pesquisas sobre a realidade do corpo discente é essencial para obter um panorama real das necessidades da implementação da educação híbrida;
  • planeje de acordo com a realidade: cada escola, cada turma e cada estudante tem características únicas. Por isso, a partir do passo anterior, desenvolva um planejamento que contemple as diversidades e que use os recursos possíveis;
  • use novas metodologias: de nada adianta uma educação híbrida que não explore as diferentes potencialidades do uso de tecnologia e que não estimule o estudante ao protagonismo. Por isso, inclua no planejamento metodologias ativas, gamificação, visitas virtuais etc.;
  • dê suporte aos estudantes: mudanças não são fáceis para crianças e adolescentes, por isso, é muito importante que eles se sintam acolhidos, tendo seu tempo, seu espaço e suas dificuldades respeitadas e amparadas.

Além desses passos, ainda, é importante que se opte por soluções tecnológicas adequadas. Isto é, ao escolher as ferramentas que serão usadas no processo de aprendizagem, escolha soluções robustas e completas, mas que, ao mesmo tempo, sejam simples e intuitivas.

Diante disso, recomendamos o Conexia LEX, uma solução da Conexia que integra diversas tecnologias voltadas para a educação. Dentro da plataforma, professores e estudantes podem contar com a ferramenta LEX Aulas ao Vivo, a qual permite a realização de aulas remotas com diversas funcionalidades, como notificação automática do horário das aulas, divisão da turma em grupos durante a aula, envio de perguntas para gerar maior engajamento, registro da frequência e outros.

Quais são as principais categorias e modelos?

Com o que vimos até aqui, você já sabe que a educação híbrida não é somente colocar uma câmera na sala de aula para que estudantes possam acompanhar remotamente. Contudo, é importante conhecer as categorias e os modelos que são usados nessa modalidade, para que as possibilidades de planejamento de suas aulas sejam ainda maiores e condizentes com a realidade de suas turmas.

Então, primeiramente, é necessário entender que há três modalidades de ensino e de aprendizagem que se integram para a formação da educação híbrida. Cada uma delas tem as suas particularidades e devem ser usadas de acordo as necessidades previstas:

  • on-school: trata-se dos momentos de interação presenciais que ocorrem dentro do ambiente escolar, também chamada de offline;
  • on-line: está relacionada ao uso de tecnologias para o desenvolvimento de atividades que ocorre de forma síncrona entre estudantes e escola;
  • on-time: são as atividades desenvolvidas pelos estudantes por meio da tecnologia, mas fora do ambiente escolar e de forma assíncrona.

A partir disso, existem diversos modelos que podem ser usados para uma formação integral por meio da educação híbrida. Esses modelos podem ser categorizados entre sustentados — que, muitas vezes, já fazem parte da rotina escolar e promovem menor impacto — e disruptivos — que se caracterizam por um maior impacto.

Assim, são comumente atribuídos como modelos sustentados:

Rotação por estações

Nesse modelo, a turma é separada em grupos que se revezam em estações de aprendizagem. Cada estação vai explorar uma forma de aprender diferente, sendo que em uma pode haver o uso de tecnologia, na outra a elaboração de atividades coletivas e, em uma terceira, uma situação de interação com o professor.

Além disso, capacidades e habilidades diferentes podem ser exploradas em cada uma das estações. Por exemplo, em uma estação pode ser exibido um material multimídia que trabalhe com o ver e o escutar; na outra pode ser explorado o fazer; e na última o ensinar. A quantidade de estações depende do número de estudantes e do tempo disponível para a aula.

Sala de aula invertida

Muito comum no ensino superior, esse modelo está centrado na autonomia dos estudantes, os quais têm o primeiro contato com o conteúdo da aula em casa, por meio de vídeos, textos, jogos educacionais e outros. Assim, os estudantes já chegam na sala de aula com uma boa bagagem do conteúdo e usam esse espaço para colocar em prática o que estudaram, tirar dúvidas e aprofundar o conhecimento.

Laboratório rotacional

Esse modelo consiste em dividir a aula em dois momentos: um no laboratório de informática e outro na própria sala de aula. Sendo assim, a turma pode ser separada em dois grupos, que trabalham em cada ambiente em tempos diferentes.

No momento quando estão no laboratório, os estudantes trabalham de forma autônoma para executar as atividades propostas — resolução de exercícios on-line, pesquisas, curadorias etc. Já na sala de aula, o momento pode ser aproveitado para tirar dúvidas, explicar conceitos, fazer projetos coletivos e outros, com o auxílio do professor. Além desses modelos, apresentados como sustentados, ainda há os modelos que se categorizam como disruptivos.

Dentre esses é possível destacar:

Rotação individual

Nesse modelo, explora-se o conceito de personalização da educação, pois são elaborados diferentes roteiros de aprendizagem para uma mesma turma. Assim, cada roteiro deve propor atividades relacionadas às necessidades específicas do estudante ou grupo de estudantes que o receber.

À la carte

Para a realização desse modelo, os estudantes traçam os seus objetivos de aprendizagem e podem escolher disciplinas eletivas para complementar os estudos básicos. Assim, pelo menos uma dessas disciplinas é ofertada de modo totalmente on-line, para que o estudante estude no momento que preferir.

Flex

O modelo flex é sustentado na educação on-line, que pode ocorrer tanto à distância quanto em laboratórios na escola. Tendo isso em vista, o professor atua apenas como mediador, tirando dúvidas, orientando a execução de tarefas e propondo discussões e projetos.

Virtual aprimorado

Nesse modelo, os estudantes têm todas as disciplinas on-line, porém, participam de momentos presenciais semanalmente, para discutir os conteúdos estudados, fazer atividades e obter acompanhamento pedagógico.

Como montar um plano de aula com educação híbrida?

Há uma verdade inquestionável quando se trata de educação híbrida: ela só ocorre com um bom planejamento. Tendo isso em vista, a elaboração do plano de aula tem um peso ainda maior que já tem no ensino tradicional, pois uma boa gestão do tempo e o preparo prévio das atividades que serão desenvolvidas são fundamentais.

Todavia, o planejamento não se difere tanto do que já é produzido tradicionalmente, bastam algumas observações a mais, pois se passa a considerar o uso mais frequente de recursos tecnológicos. Assim, considerar quais ferramentas digitais e equipamentos estão disponíveis e as especificidades da turma é uma prática essencial.

Após a definição desses detalhes, é necessário refletir sobre a metodologia a ser aplicada na aula. Nesse caso, explore cada uma das metodologias citadas e defina aquela que fará mais sentido para a realidade de sua turma e para o melhor aproveitamento do conteúdo a ser passado.

Além disso, não deixe de incluir momentos de sistematização nas aulas, de preferência na modalidade presencial, ou remota síncrona, para que exista o momento de discussão sobre o aprendizado, no qual os estudantes podem avaliar quanto aprenderam e quais dificuldades enfrentaram ou ainda enfrentam.

Por falar nisso, a avaliação também não pode ser esquecida. Na educação híbrida, pode-se usar recursos digitais que ampliam as formas de avaliar e facilitam esse processo, como formulários, quizzes, elaboração de mapas mentais etc.

Por que contar com a educação híbrida?

Como discutimos ao longo deste artigo, a educação híbrida se estabelece como uma realidade permanente no contexto escolar brasileiro. Por isso, as escolas que querem se manter relevantes devem aperfeiçoar cada vez mais suas práticas e experiências em metodologias que exploram os recursos tecnológicos.

Para se ter uma ideia, 61% das crianças de 0 a 3 anos já têm acesso a smartphones e o percentual chega a 95% ao se considerar a faixa de 10 a 12, de acordo com a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box — Crianças e smartphones no Brasil. Assim, a educação híbrida nada mais é que uma resposta à realidade das crianças e dos adolescentes do século XXI, que, cada vez mais cedo, alternam entre o real e o virtual.

Em vista disso, a educação híbrida é a alternativa necessária para que a escola não se torne obsoleta e seja capaz de promover uma aprendizagem significativa. Assim, pode responder às necessidades educacionais de nosso tempo. Portanto, agora que você já o que é educação híbrida, comece a colocar em prática quanto antes e obtenha melhores resultados em suas aulas.

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